quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Confira 13 dicas e curiosidades sobre rinite alérgica




Cerca de 30% da população sofre algum tipo de alergia, de acordo com a Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia (Asbai). Um deles é a rinite alérgica, que pode levar a complicações como otites, sinusites, roncos, respiração bucal e alterações na posição dos dentes, além de piorar as crises de asma. Para saber mais sobre a doença, como sintomas e formas de tratamento, confira abaixo 13 curiosidades e dicas listadas pelo otorrinolaringologista Julio Miranda Gil, membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico Facial (ABORL-CCF).


1) Os principais sintomas são coriza, espirros, coriza hialina (secreção transparente) e obstrução nasal. Ainda pode-se observar lacrimejamento, perda do olfato e do paladar, halitose, tosse;

2) Durante uma crise, algumas pessoas sofrem com irritação nos olhos porque a mucosa que envolve o nariz e os seios da face se comunica com a dos olhos;

3) A rinite é dividida em dois grupos: alérgica e não-alérgica. O mais comum nos casos crônicos é a alérgica;

4) A rinite alérgica é uma inflamação da mucosa do nariz e dos seios da face com a presença de eosinófilos (um tipo de glóbulo branco) e IgE (um tipo de imunoglobulina);

5) A não-alérgica pode se apresentar de muitas formas, porém sempre com a mesma inflamação da mucosa, presença de neutrófilos (em vez de eosinófilos) e ausência do aumento de IgE;

6) Existem a patologia alérgica sazonal (com manifestação de sintomas por menos de quatro dias na semana) e a persistente (sintomas presentes por mais de quatro dias na semana). Pode ser dividida também em leve (quando os sintomas atrapalham, mas não incomodam tanto durante o sono, atividades diárias, lazer e esporte, escola ou trabalho) e moderada a severa (quando os sintomas atrapalham muito);

7) A rinite alérgica não é contagiosa. Normalmente, existe uma história familiar, ou seja, é hereditária. Por exemplo, quando os pais têm, o filho apresenta 80% de chance de desenvolvê-la. Pode ainda estar relacionada com baixo nível socioeconômico, como condições precárias de moradia;

8) Há várias substâncias que desencadeiam a rinite alérgica. As mais comuns são ácaros, fungos, pólen, saliva, resíduos de insetos e secreções de cães e gatos. Poluentes e tabaco também deixam o nariz mais sensível;

9) A prevenção consiste em detalhes como retirar de casa tapetes, carpetes, cortinas, bichos de pelúcia. Nunca passe vassoura e, em seu lugar, use pano úmido ou aspirador. É preferível não ter animais de estimação e, se isso for impossível, dê banhos semanais neles. Durma com edredom em vez de cobertor. Esqueça as roupas de lã e dê lugar às de materiais sintéticos ou algodão;

10) A lista de opções de tratamento conta com lavagem nasal com soro fisiológico, sprays nasais de corticoide, anti-histamínicos orais ou nasais, antileucotrienos, corticoides orais e vacina sublingual ou subcutânea;

11) Pacientes que têm rinite e desvio de septo costumam se queixar mais de nariz entupido do que os outros e talvez precisem de cirurgia para correção. Outras alterações anatômicas podem predispor a sinusite crônica e de repetição quando associadas à rinite alérgica;

12) Quem tem rinite e trabalha em um escritório com ar-condicionado deve realizar, ao menos duas vezes ao dia, lavagem do nariz com soro fisiológico, além de tomar cuidado com variações bruscas de temperatura. Outra dica é manter recipientes com água espalhados pelo ambiente com o intuito de evitar que o ar fique muito seco;

13) A sinusite alérgica pode ser causada pelo quadro de rinite e, a bacteriana crônica, por uma rinite que não foi tratada adequadamente (quando ocorre um acúmulo de muco nos seios da face, colonizado por bactérias).

Enxaqueca: os cuidados que se deve ter com a automedicação




Quando bate aquela dor de cabeça já é de costume comprar um analgésico na farmácia mais próxima, e às vezes, nem é preciso sair de casa, basta abrir o armário da cozinha e ali encontrar a solução para toda aquela dor.

No entanto, a automedicação esconde riscos inevitáveis para a saúde do corpo. A neurologista Célia Roesler, da Sociedade Brasileira de Cefaléia, alerta as pessoas sobre a automedicação e o uso abusivo de analgésicos, pois podem "mascarar" ou piorar o quadro de uma dor de cabeça. Pode não ser uma enxaqueca, mas outra doença como uma meningite ou um tumor cerebral.

Para a especialista, o uso de analgésicos em grandes quantidades fatalmente transformará uma dor de cabeça esporádica em uma cefaléia crônica diária, devido ao efeito 'rebote' dos analgésicos, ou seja, dor-analgésico-dor.

A dona-de-casa Lúcia Helena Bianchi Mello, de 65 anos, que sofre com a enxaqueca há 30 anos, disse que a automedicação ajudou a desencadear uma dor de cabeça crônica. "Já fiz vários tratamentos, tomei diversos remédios, mesmo assim, a dor que some por um período, volta bem mais forte depois", disse.

Também com histórico de automedicação, a recepcionista Rosmari Benevelli, de 62 anos, teve a primeira crise de enxaqueca em 1979, quando começou a ter dores de cabeça muito fortes. "Desde menina eu já tomava analgésicos para conter as dores, até que percebi que isso estava agravando o quadro", disse.

Desde que começou o tratamento para enxaqueca, em 1982, tomando o medicamento adequado, Rosmari pôde levar uma vida tranquila. "Na primeira semana de tratamento eu me sentia bem. Antes, ou eu estava no hospital ou fechada em um quarto escuro", afirmou.

Já os estudantes Paulo Hoffmann, 22, e Mariana Lopes, também de 22 anos, que convivem com as crises de enxaqueca há oito anos, sempre trataram a doença com medicamentos prescritos pelos médicos. A estudante Mariana também recorre a métodos mais naturais para se livrar da dor, como por exemplo, tomar algum tipo de chá, para evitar o excesso de remédio no corpo.

Pode-se dizer que a enxaqueca é um dos tipos de dores de cabeça, e, de todos, é a que apresenta mais sintomas. Além da dor que começa fraca até ficar muito forte, pode vir acompanhada de vários sintomas como náuseas, tonturas, fotofobia (intolerância à luz), osmofobia (intolerância a cheiros), fonofobia (intolerância a barulhos) e cinetofobia (intolerância a movimentos).

A doença, crônica hereditária, tem como causa um desequilíbrio químico cerebral. A neurologista explica que existem "gatilhos" responsáveis por desencadear crises de enxaqueca como alimentos (queijos amarelos, embutidos, molhos vermelhos, frutas cítricas), mudanças bruscas de temperatura, oscilações hormonais, falta ou excesso de sono.

Cerca de 20% das mulheres, podendo chegar até 30% (dependendo da idade), apresentam quadro de enxaqueca, enquanto apenas 10% dos homens desenvolvem o quadro. De acordo com estudos recentes realizados pelo médico Luiz Paulo Queiroz, da Sociedade Brasileira de Cefaléia, os casos de enxaqueca no país chegam a 16%, o que corresponde a mais de 30 milhões de pessoas.

Existem dois tipos de tratamento para as enxaquecas: o tratamento agudo, que usa medicamentos sintomáticos para interromper uma crise, e o tratamento preventivo, ou seja, aquele que previne o paciente das crises. Os medicamentos preventivos, que levam em conta o quadro e o perfil de cada paciente, são usados para depressão, labirintite, pressão alta, doenças cardíacas, epilepsias e outros, porém com doses bem menores do que a indicada para tratar essas doenças.

Os pacientes com enxaqueca geralmente procuram ajuda médica quando as dores começam a atrapalhar muito a qualidade de vida e a vida social. As dores frequentes e intensas levam os pacientes a faltarem do trabalho, escola e até de atividades de lazer. "Por isso nós dizemos que a enxaqueca é uma doença incapacitante, que prejudica muito a vida profissional, social e conjugal desses pacientes, afirmou Célia.

Tipos de Enxaqueca
Existem dois tipos de enxaqueca: a enxaqueca com aura e a enxaqueca sem aura:

Com aura: o paciente apresenta sintomas visuais ou sensitivos, antes do aparecimento da dor, que podem durar até 40 minutos. Com relação aos sintomas visuais, o paciente pode enxergar cobrinhas luminosas, manchas ou bolas escuras, ter visão dupla ou ver apenas a metade das imagens. Quanto aos sintomas sensitivos, ocorre formigamento em uma das mãos, que correm para o antebraço, braço, metade do rosto e, em seguida, metade da língua, dificultando até a fala do paciente. "Esses sintomas assustam muito porque podem ser confundidos com um derrame cerebral", afirmou a neurologista. Após o aparecimento dos sintomas visuais e auditivos, surge no quadro a chamada dor de cabeça latejante, que pode pegar um só lado da cabeça ou a cabeça toda.

Sem aura: o paciente apresenta apenas o quadro da dor sem os sintomas visuais ou sensitivos anteriores.

Tratamento Alternativo
Os tratamentos alternativos ajudam e auxiliam no quadro de enxaqueca, porém, sozinhos não funcionam. Por isso, é necessário o tratamento à base de medicamentos.


Segundo as dicas da médica Célia Roesler, a acupuntura, técnicas de relaxamento, mudança de hábitos de vida como praticar uma atividade física, alimentação balanceada e horários regulares de sono contribuem para a melhora do quadro.

"Nós especialistas em dores de cabeça afirmamos que um 'enxaquecoso' deve ter uma vida muito bem balanceada, regrada e disciplinada. Nada de pouco e nada de muito", declarou a neurologista.