segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Procura por endocrinologistas aumenta em 50% no final de ano





Ano novo, vida nova, corpo novo, calça nova - e com tamanho bem menor. Quando dezembro se despede, a procura por consultórios de endocrinologia aumenta em 50%. O motivo é sempre o mesmo: emagrecer. Segundo Claudia Pieper, uma das coordenadoras de Pós-Graduação em Endocrinologia da PUC, o mês de janeiro é propício para atingir o objetivo. Além das festas já terem passado, o verão é um ótimo motivador para quem quer perder os quilinhos extras.

As pessoas procuram o tratamento para ficarem bonitas para o verão e o Carnaval. Elas já chegam com vontade de transformar a vida, têm uma meta de emagrecimento. É fundamental, no entanto, emagrecer com saúde", afirma.

Pieper explica que, para perder peso, é necessária uma reeducação alimentar. Em casos mais graves, pode-se recorrer a medicamentos permitidos pela Associação Brasileira de Estudos sobre a Obesidade (Abeso), como a sibutramina. Já "tratamentos de choque", como os SPAs, não são aconselhados. Segundo a médica, o ideal é que o processo de emagrecimento seja feito aos poucos, sem exageros, para que a pessoa consiga manter-se magra futuramente. "A cirurgia de redução do estômago também só deve ser pensada depois de já se ter tentado outras alternativas, e em casos de risco de morte", orienta.

Segredo é evitar excesso
A nutricionista e pesquisadora do Instituto Estadual de Endocrinologia e Diabetes, Wilma Amorim, afirma que quem está com dez quilos acima do peso deve evitar frituras, açúcares e fast food. Segundo a profissional, comer carne em excesso também prejudica pessoas que desejam emagrecer.

O segredo, explica, é comer poucas quantidades em intervalos de quatro horas, não deixando de lado nenhum grupo alimentar. "Evite volumes grandes de comida no prato. O certo é distribuir os alimentos em café da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar", ensina, ressaltando que o ideal é procurar ajuda profissional e unir a dieta à prática de exercícios. "Toda perda de peso é maior nos primeiros meses e, depois, vai sendo reduzida. Por isso também é importante ser persistente. Tenha em mente que emagrecer é possível, basta querer de verdade", diz.

Emagrecer em 2010 é a resolução de Ano Novo da professora Layla Baptista. Aos 24 anos, ela conta que já fez inúmeras tentativas. Desta vez, no entanto, acredita que vai dar certo. "Quero eliminar dez quilos até abril e, para isso, vou reeducar minha alimentação e praticar exercícios. Já comecei a dieta, mas vou dar uma pausa para as festas de fim de ano, que ninguém é de ferro", brinca.

Fique atento
Exercícios
Praticar atividades físicas ajuda a emagrecer mais rápido e a manter o corpo. Quando você se exercita, desenvolve massa muscular magra e queima gorduras.

Comece em janeiro
Quem ainda não começou uma reeducação alimentar deve esperar passar o Ano-Novo, depois que as festas terminarem. O ideal é se organizar para iniciar a dieta imediatamente após o dia 1º de janeiro. Nesta data, procure escolher uma sobremesa, um tipo de carne e reduza os beliscos.

Mude os hábitos
Evite fazer as refeições assistindo televisão, na frente do computador ou em pé. Concentre-se nos alimentos que você está comendo para não exagerar.

Mastigue bem
Observe: quem está acima do peso costuma comer rápido. Isso prejudica a digestão, que começa na boca, e a saciedade. O ideal é mastigar, no mínimo, dez vezes antes de engolir a comida.

Não compense
Troque os açúcares por alimentos light e diet, mas evite a compensação. De nada adianta o alimento ter menos calorias, se você triplicar a porção. Ao invés de emagrecer, engorda.

"Já perdi as contas de quantas vezes tentei emagrecer. Todo fim de ano é a mesma coisa, prometo que no ano seguinte vou começar uma dieta rígida. Dessa vez eu sei que será diferente e vou conseguir, pois estou me planejando pra isso. Já fui ao endocrinologista e ao nutricionista, sei o que devo comer e as quantidades certas. Minha meta inicial era emagrecer 15 quilos. Cinco já foram. Até abril, vou eliminar mais dez", diz Layla.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Conheça as temidas doenças de inverno

As doenças de inverno mais comuns são as que atingem a garganta e o aparelho respiratório. Seus alvos preferidos são as vias respiratórias superiores (o nariz), a garganta, os ouvidos e os pulmões.
Se tratadas adequadamente, essas doenças não têm maior gravidade, embora tragam grande desconforto. Mas, quando se complicam, podem levar à morte. Por isso, é fundamental conhecer suas diferenças e ficar de olho nos sintomas.

Em geral, secreções amareladas ou muito espessas, febre alta, dores fortes na cabeça ou no peito e dificuldades respiratórias indicam a necessidade de tratamento de emergência, muitas vezes com hospitalização. Para evitar que isso aconteça, informe-se.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Miomas são tumores benignos, mas precisam de cuidados






Miomas uterinos são tumores benignos que podem trazer incômodos ou simplesmente não apresentar sintomas. Por isso, é importante visitar o médico regularmente para identificá-los, principalmente porque podem interferir até mesmo na fertilidade da mulher. Confira abaixo 12 informações sobre o problema, listados pela ginecologista Rosa Maria Neme, diretora do Centro de Endometriose São Paulo:


1) A causa dos miomas é genética e o crescimento deles acontece, na maioria das vezes, por ação do estrógeno, hormônio produzido no ovário da mulher em idade reprodutiva.

2) Toda mulher pode desenvolver mioma. Após os 50 anos, a chance de ter é de 50%.

3) O problema pode acontecer em diferentes partes do útero e, por isso, conta com três classificações: subseroso (quando está localizado do lado de fora do útero), intramural (na musculatura do útero) e submucoso (dentro do útero).

4) Os sintomas são cólicas fortes, menstruação prolongada ou sangramento irregular.

5) O mioma pode virar um leiomiossarcoma (tumor maligno). Mas a chance é baixa: de 0,3 a 0,5%.

6) Pode interferir na fertilidade, dependendo da localização. Por isso, quando forem submucosos ou intramurais de grande volume ou localizados perto das trompas, devem ser operados.

7) O diagnóstico é realizado por meio de exames como o ultrassom e a ressonância magnética.

8) O tratamento depende do tamanho e da localização do mioma. Mas, em geral, é cirúrgico.

9) Em casos de miomas submucosos, sempre é recomendado retirá-los por histeroscopia (cirurgia em que se coloca uma câmera de vídeo por dentro do útero, sem cortes externos). Se a paciente tem algum dos outros tipos, a cirurgia é reservada àquelas com muitos sintomas ou em miomas de grande volume.

10) Podem ser usadas medicações para diminuir o tamanho do mioma, mas sempre antes de um procedimento cirúrgico.

11) Outro tratamento é a embolização, que consiste em colocar um cateter até a artéria que irriga o mioma e, então, interromper o fluxo de sangue. Dessa forma, há redução do tumor, evitando algumas cirurgias. No entanto, é indicado principalmente para mulheres com contra-indicações cirúrgicas ou com filhos e que não desejam ter mais, já que existe um risco (extremamente pequeno) de haver necrose de todo útero com necessidade de sua retirada.

12) Somente se retira o útero de mulheres com filhos e com miomas de grande volume (útero aumentado semelhante ao de uma gestação de cinco meses para cima) ou muito sintomáticos.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Consumo de café e cerveja pode prevenir o câncer de próstata




Se você precisava de mais um motivo para ir ao bar e tomar uma loura e depois dar uma esticadinha a uma cafeteria, a ciência conseguiu satisfazer sua vontade.


Um estudo conduzido em Harvard mostrou uma relação inversamente proporcional entre consumo de café e risco de câncer de próstata. Segundo uma das pesquisadoras, Kathryn M. Wilson, o café afeta no metabolismo da insulina e da glucose, além dos hormônios sexuais, que tem um papel importante neste tipo de câncer.

Os dados apresentados mostraram que homens que são grandes consumidores de café têm até 60% menos chance de contrair o câncer de próstata do que aqueles que nunca tomam a bebida, mas não conseguiu identificar qual substância no café é responsável pela prevenção, só afirmando que a cafeína tem pouca relevância no resultado.
O estudo foi conduzido entre 1986 e 2006 e acompanhou 50.000 homens.

Já na Alemanha (óbvio), mais especificamente no Centro Germânico de Prevenção ao Câncer em Heidelberg, cientistas mostraram que o componente natural xanthohumol encontrado no lúpulo (base da cerveja), também é um ótimo aliado na prevenção do câncer de próstata, atuando para bloquear a ação do estrogênio e da testosterona e assim conseguindo diminuir o nível de PSA (o índice que aponta a probabilidade de um homem ter câncer de próstata).

E para encerrar a matéria com um banho de água fria, um estudo publicado no periódico Behavioural Neuroscience e realizado pela Temple University da Filadélfia mostrou que o café não só não deixa um beberrão sóbrio como potencializa a ação do álcool no corpo.

Com testes realizados em ratos, os pesquisadores viram que o álcool bloqueia a habilidade da cafeína em tornar o animal mais atento e desperto, mas a combinação acaba deixando-os mais relaxados.

Ou seja, em humanos o efeito faria com que a pessoa achasse que está apenas levemente embriagada e capaz de realizar coisas normais como dirigir um carro, por exemplo, enquanto na verdade ela não está apta a isso.

Só que não é só com o café que esses efeitos ocorrem. Misturar álcool com energéticos (ricos em cafeína), moda em muitas baladas, vai provocar a mesma reação.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Brasil instala fábrica de medicamentos contra aids na África

O Ministério da Saúde vai doar R$ 13,6 milhões para a primeira fase de instalação de uma fábrica de medicamentos contra a aids em Moçambique. Por meio de cooperação entre os governos brasileiro e moçambicano, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) vai aplicar diretamente os recursos no desenvolvimento do projeto da unidade, na compra de todos os equipamentos e na capacitação de profissionais de saúde no país africano. A Lei que libera o valor foi publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira (15).

A partir do projeto de construção da fábrica, elaborado pela Fiocruz, o governo de Moçambique vai realizar as obras. Quando as instalações estiverem prontas, a fundação vai enviar os aparelhos. Extensão do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos) da Fiocruz, a fábrica deverá começar a funcionar no fim de 2010, em Maputo, capital de Moçambique.

Na fase inicial, o país africano vai apenas embalar os medicamentos enviados pelo Brasil. Depois disso, por meio da gradual transferência de tecnologia brasileira, os moçambicanos vão desenvolver os próprios antirretrovirais. Para o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, o acordo entre os dois governos contribuirá com a melhoria da qualidade de vida dos moçambicanos.

“Vamos gerar conhecimento e permitir o desenvolvimento econômico e social de Moçambique. Essa cooperação está inserida nas políticas do governo brasileiro de fortalecimento das relações com os países de língua portuguesa”, ressalta Temporão. O ministro da Saúde observa também que o acordo está entre as prioridades do programa Mais Saúde: direito de todos, projeto lançado em 2007 pelo Ministério para promover um novo padrão de desenvolvimento na área da saúde.

EPIDEMIA - O embaixador de Moçambique no Brasil, Murade Isaac Mugargy, considera fundamental o apoio brasileiro para ajudar a salvar vidas. “Como a maioria dos países africanos, enfrentamos uma epidemia muito forte de aids”, conta. Além da produção de medicamentos, temos o grande desafio dar continuidade ao desenvolvimento de atividades de educação sexual, com orientações sobre o uso de preservativo, por exemplo”, completa o embaixador.

Estima-se que 500 pessoas peguem aids por dia em Moçambique. De acordo com o Relatório de Progresso para a Sessão Especial da Assembleia Geral das Nações Unidas Sobre o HIV, aproximadamente 1,6 milhão de moçambicanos vivem atualmente com a doença. No Brasil, estimativas apontam que há 630 mil soropositivos.
Segundo o diretor de Farmanguinhos, Hayne Felipe da Silva, a liberação dos recursos contribuirá com o fortalecimento e o crescimento de Moçambique. “Queremos ajudar o país africano para que ele tenha tecnologia e consiga enfrentar esse grande flagelo, que é a epidemia de aids”, diz o diretor.

OUTRAS AÇÕES - Além da fábrica de medicamentos, o Acordo Geral de Cooperação Fiocruz-África traz outras iniciativas. Em outubro de 2008, a Fiocruz inaugurou o Escritório Técnico de Moçambique, um braço de cooperação internacional entre o Brasil e países de língua portuguesa na área de saúde pública. O pólo fica em Maputo.

Em maio deste ano, onze moçambicanos foram formados pelo Programa de Mestrado em Ciências da Saúde, promovido pela Fiocruz em parceria com o Ministério da Saúde de Moçambique. Eles receberam o diploma de capacitação profissional (equivalente à especialização).

domingo, 13 de dezembro de 2009

Superobeso tem maior risco de morte após cirurgia bariátrica





Pesquisa divulgada na edição de outubro de Archives of Surgery, jornal mensal da American Medical Association, aponta maior risco de mortes entre pacientes que sofriam de obesidade mórbida e que realizaram a cirurgia bariátrica, em até um ano após o procedimento.


O levantamento foi feito com veteranos que usam serviços médicos exclusivos para essa classe e, entre eles, 165 mil são identificados como portadores de obesidade nível 3, ou seja, com índice de massa corporal igual ou maior do que 40. O índice é considerado normal quando está entre 18,5 e 24,9.

Segundo o médico que conduziu a pesquisa, David Arterburn, do Group Health Research Institute, de Seattle, Washington, a maioria dos estudos anteriores foi realizada com mulheres mais jovens, e é a primeira vez que um levantamento é feito com homens mais velhos. O estudo contou com pesquisadores nas Universidades de Washington, Texas, Duke, Colorado.

Foram examinados os históricos de 856 veteranos que passaram pela operação entre 2000 e 2006. A média de massa corporal entre eles era de 48,7 e a idade, 54 anos. E 73% eram homens.

Cinquenta e quatro pacientes, ou 6,3% do total, morreram durante a recuperação; 1,3% vieram a óbito em um mês; 2,1% em 90 dias; e 3,4 % dentro de um ano.

Pacientes classificados como superobesos, com IMC igual ou maior do que 50, o que correspondia a 36% da amostra, tiveram maior risco de morte, registrando 30 óbitos.

Entre as explicações para o maior risco estão as complicações do procedimento em superobesos devido à quantidade de gordura abdominal, maior risco de embolia e doenças relacionadas à obesidade.

O número de operações do gênero triplicou entre 2000 e 2006, apesar de o procedimento ter sido realizado em cerca de 0,1% dos veteranos que se enquadram no critério de índice de massa corporal exigido.

Segundo o médico David Arterburn, o aumento do número de intervenções dependerá do impacto que a operação tem a longo prazo na saúde dos operados. A cirurgia bariátrica é um dos poucos procedimentos considerados eficazes na redução da obesidade mórbida causando significativa perda de peso para melhoria da saúde e qualidade de vida.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Tomar café não corta efeitos do álcool, indica estudo





Um estudo realizado nos Estados Unidos sugere que tomar café não acaba com os efeitos de uma bebedeira, diferentemente do que diz a crença popular.

Segundo os cientistas responsáveis pela pesquisa, o que o café parece fazer é tornar mais difícil para o alcoolizado perceber que está bêbado.

No estudo, da Universidade de Temple, na cidade de Filadélfia, camundongos foram submetidos a ruídos altos e luzes brilhantes, ficando assustados e sendo forçados a seguir por um labirinto para fugir.Os animais receberam doses de bebidas alcoólicas e cafeína em várias combinações diferentes, e o desempenho deles no labirinto foi comparado ao desempenho de outros ratos que receberam apenas uma solução salina neutra.

Os camundongos que receberam doses de álcool aparentaram estar mais relaxados, porém menos capazes de se moverem pelo labirinto para fugir dos sustos.

Os que receberam doses de cafeína ficaram mais alertas e se movimentaram melhor na fuga pelo labirinto.
Mas a combinação entre cafeína e bebida alcoólica, embora tenha resultado em camundongos um pouco mais alertas, não garantiu que eles conseguissem fugir pelo labirinto, evitando os sustos.
‘Mito’

Os pesquisadores acreditam que, em humanos, a combinação faz com que as pessoas sintam que não estão bêbadas, quando, na verdade, elas ainda estão sob efeito do álcool.

"É importante acabar com o mito sobre o poder do café de cortar o efeito do álcool, pois o consumo de cafeína e álcool pode na verdade levar a decisões erradas com resultados desastrosos", afirmou o líder da pesquisa, Thomas Gould.

"Pessoas que se sentem cansadas e embriagadas depois de consumir bebidas alcoólicas podem ter maior probabilidade de admitir que estão bêbadas."

"Por outro lado, pessoas que consumiram bebidas alcoólicas e cafeína podem sentir que estão em condições de lidar com situações potencialmente perigosas, como dirigir sob efeito da bebida", acrescentou.

A pesquisa foi publicada na publicação especializada Behavioural Neuroscience.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Dente quebrado: O que fazer?





Os dentes dos adultos deveriam durar a vida toda. Mas, com frequência algumas vezes irritantes para as infelizes vítimas, eles se quebram. Quando isto acontece, pode ser possível recolocar a parte quebrada no lugar, caso se mantenha o fragmento úmido e procure rapidamente um dentista.

Se o reimplante pode ser executado em menos de meia hora, a polpa possivelmente ainda estará viva, e o resultado será um sucesso. O tecido mais externo pode sobreviver por até 6 horas, permitindo ainda o reimplante com bom resultado.

Se quebrar um pedaço do seu dente, faça uma compressa gelada no local para diminuir o inchaço, guarde o fragmento que quebrou e corra para o dentista.

Se o dente foi completamente arracado, enxágue-o com água limpa. Se possível, coloque-o de volta no lugar ou sob sua língua. Se não for possível, envolva-o em um pano úmido ou em um copo com leite. Se a gengiva estiver sangrando, comprima-a com um lenço ou um chumaço de gazes. Tente chegar ao dentista em menos de 30 minutos após o acidente.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Mais proteção aos bebês

É comum um bebê chorar até três horas por dia. Afinal, essa é a única forma que ele tem para se comunicar – informar que está com sono, fome ou incomodado com o barulho, por exemplo. Mas no interior de muitos lares essa manifestação é rebatida por adultos com violentas sacudidas. Um ato condenável, que acontece com uma frequência muito maior do que se imagina. De tão recorrente virou alvo de um projeto internacional para preveni-lo. A campanha, que teve início na Austrália, já está em mais de 150 países e acaba de ser lançada no Brasil.

O objetivo é chamar a atenção de pais, babás, outros cuidadores, educadores e médicos para o problema e suas consequências. No meio científico, ele é chamado de síndrome do bebê sacudido. A violência pode provocar danos neurológicos, cegueira e até a morte do bebê. “Essa também é a causa mais comum de traumatismo craniano não acidental entre crianças menores de três anos”, afirma o psicoterapeuta João Figueiró, presidente do Instituto Zero a Seis, voltado para a promoção de ações em favor de crianças nesta faixa etária. A entidade e o Laboratório de Análise e Prevenção da Violência da Universidade Federal de São Carlos são os responsáveis pela campanha no Brasil.

Os prejuízos ocorrem principalmente porque, no primeiro ano de vida, o organismo do bebê está em pleno desenvolvimento. Os nervos e vasos sanguíneos são mais frágeis, por exemplo, assim como as estruturas do pescoço. Até os neurônios estão desprotegidos – a membrana que os recobre ainda está em construção. “Ao ser chacoalhado, o cérebro se desloca, já que tem volume menor do que a caixa craniana”, explica o terapeuta Figueiró. “E um dos resultados pode ser a ruptura de vasos e hemorragia intracraniana.”

Muitos médicos, no Brasil e no mundo todo, desconhecem a síndrome. “Por isso queremos divulgar mais informações a esses profissionais”, afirma a pediatra Evelyn Eisenstein, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Em relação às famílias, a campanha pretende orientar sobre formas de acalmar a criança durante as crises de choro. “A mãe que tem um vínculo forte com o filho protege. Queremos criar meios para fortalecer essa relação e evitar os maus-tratos”, diz a especialista.